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CONHECENDO A CULTURA RELIGIOSA

Abas primárias

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Enviado por Dcjosiastorres em ter, 23/09/2014 - 16:56

Para termos uma definição sobre o que é cultura religiosa, devemos entender primeiramente o surgimento do pensamento religioso da espécie humana, o que torna muito mais complexo definir com objetividade a cultura religiosa, bem como o pensamento filosófico acerca de tal complexidade, visto que não existem registros precisos que comprovem o surgimento dessa cultura na humanidade.
Baseando- se na incerteza do imenso abismo da falta de conhecimento dos fatos históricos, mergulhamos em um oceano de imaginações para podermos entender, além do que são historicamente comprovados e documentados em nossos dias, acerca do assunto em epígrafe.
É importante conhecer o surgimento dos templos das culturas antigas, como as culturas: grega; mesopotâmia e babilônicas. Segundo os historiadores e arqueológicos, no passado muito distante, se sepultavam com flores e amuletos, evidência que sugere a manifestação religiosa dos povos primitivos de culturas vistas hoje como matriarcas da religião.
Segundo o historiador Walter Burkert, da Universidade de Zurique (França), autor do livro “A criação do Sagrado”, os sepultamentos mais antigos datam de 30 mil anos. Ainda engrossam a discursão as descobertas arqueológicas datadas de 60 mil anos atrás, que mostram sinais de sepultamentos com indícios religiosos. Segundo Bergson, existem culturas sem nenhum conhecimento científico ou filosófico, entretanto, não existe nenhuma sem religião.
“Encontram-se no passado, e se encontram até hoje, sociedades que não possuem ciência, nem artes, nem filosofia. Mas nunca existiu sociedade sem religião”.

(Henri Bergson, As duas fontes da moral e da religião. Rio de Janeiro: Zahar, 1978, p. 85).

Ainda falando do ser humano como evolução existencial de uma espécie, comenta Samuel Albert, que o homem é: “homo sapiens; homo ludens; homo faber; homo politicus e homo religiosos.
“O homem é animal religioso. A prova é que não cessou de inventar deuses. Mas se trata de invenção ou da descoberta de verdade que a ele se impôs no curso dos séculos e em todas as civilizações?”

(Albert Samuel, As religiões hoje. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2003, p. 5).

O home religioso se sente pequeno diante da natureza, do mistério tremendo e do mistério fascinante. É religioso quando se sente e reconhece cinza e pó. (Gn.18: 27).
“E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza”

(Gn 18: 27. Bíblia Digital- corrigida e fiel ao texto original versão 6.5).

“A religião assenta na diferença essencial que existe entre o homem e o animal, pois os animais não têm nenhuma religião”.

(Ludwig Feuerbach: A essência do cristianismo. p. 65)

Mas afinal de contas o que é religião? Como definir algo tão complexo e ao mesmo tempo tão simples a ao alcance de todos? Vejamos algumas definições desta palavra de origem grega.
Há várias etimologias. Cícero afirma que a palavra vem de RE-LEGERE (RE-LER): considerar o que pertence ao culto divino, ler de novo, ou então reunir; Lactâncio fala em RE-LIGARE (re-ligar): ligar o homem de novo a Deus. O homem vai a Deus e Deus vai ao homem; Agostinho fala em REELIGERE (re-eleger): tornar a escolher Deus, perdido pelo pecado; Batista Mondin define religião como “um conjunto de conhecimentos, de ações e de estruturas com que o homem exprime reconhecimento, dependência, veneração em relação ao Sagrado” (O homem, que é ele? São Paulo: Paulinas, p. 242); Rubem Alves afirma que “a linguagem científica pretende descrever o mundo. A linguagem religiosa exprime como o homem vive, em relação ao mundo...
A religião não é uma hipótese acerca da questão filosófica da existência dos deuses. O ego não se propõe tal questão, no início de suas operações. O que importa é a ‘paixão infinita’... Separemos, portanto, de uma vez por todas, a questão da existência de Deus – que é uma questão filosófica – da experiência religiosa. A primeira é uma hipótese acerca do objeto. A outra é uma paixão subjetiva. (O enigma da religião, Campinas: Papirus, p. 53-54).
Para entender melhor o sentido real da palavra “RELIGIÃO” é necessário dividir em dois conceitos, o real e objetivo e o real e subjetivo.
• Em sentido real objetivo, religião é o conjunto de crenças, leis e rituais que visam um poder que o homem, considera único, do qual se julga dependente, e mesmo assim, pode entrar em relação pessoal e do qual pode receber favores.
• Em sentido real subjetivo: religião é o reconhecimento pelo homem de sua dependência de um ser supremo pessoal, pela aceitação de várias crenças e observância de várias leis e ritos pertencentes a este ser.
Após o homem reconhecer o “ser supremo” de sua crença, é necessário que ele procure um relacionamento pessoal com este ser, e para garantir seus favores, segundo a sua fé, seria necessário mantê-lo próximo, seu alcance, mas muito mais que isso, construindo templos enormes, daria a impressão da grandeza desses seres divinos. Surge então a cultura de grandes monumentos, consagrados a cultos religiosos. Templo, do latim “templum”.
Do surgimento dos templos. No início de sua história mística, o homem usava para as suas orações, os altos das montanhas, ou o refúgio sob as arvores de bosques e florestas. Os templos só surgiram na época em que os locais tradicionalmente destinados aos cultos religiosos, forma murados para a proteção, permanecendo com a sua parte superior, descoberta, para que se pudesse ver o céu, já que desde o princípio, acreditava-se que os céus eram a morada dos deuses. Por isso, os primeiros deuses da história eram os astros do céu, (o sol, a lua, marte, vênus, mercúrio, jupter, saturno, etc.).
Os primeiros templos surgiram na Mesopotâmia “terra entre rios”, localizada entre os rios Eufrates e Tigre. Mais precisamente entre os sumerianos no IV milênio a.C., atingindo o seu apogeu na época dos babilônios. Os primeiros templos feitos de tijolos secos ao sol, eram bastante simples, tendo a estátua do deus virada para a parede dos fundos e cercada pela demais paredes, sem teto. Os mais importantes templos eram os babilônicos, eram construídos na forma de zegurates, ou pirâmides terraplanadas. O grande templo era o do deus Marduc. Este templo era chamado de Esaguil, "casa do teto alto", flanqueado, ao norte, pela torre em degraus, o zigurate, chamada Etemenanqui, "templo dos fundamentos dos Céus e da Terra", e conhecida pelo nome de "Torre de Babel", cuja base era um Quadrado de 91 metros de lado e cuja altura também era de 91 metros, Essa torre, destruída pelo rei assírio Senaqueribe, foi refeita por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor.
Os templos egípcios, que surgiram depois, tiveram sua expressão maior no Novo Império (a partir de 2.2 a.C. aproximadamente) e obedeciam a um esquema invariável: havia uma alameda processional, cercada, de cada lado, por uma fileira de esfinges, conduzindo à porta de acesso, situada entre suas colunas e através da qual se chegava a um pátio interno e, em seguida, ao santuário. Os templos egípcios eram a representação da Terra, da qual brotavam as colunas, como gigantescos papiros, em direção ao céu estrelado (no início, o próprio céu, nos templos descobertos; depois um teto pintado imitando a abóbada celeste).
Os templos egípcios e babilônicos influenciaram, evidentemente, os templos hebraicos, inclusive o lendário grande templo de Jerusalém, ou templo de Salomão, que viria a ser o arquétipo das igrejas.
Mas foi com os gregos que a construção de templos tornou-se a mais alta expressão da arquitetura antiga, desenvolvendo, nela, formas e estilos que refletem, de maneira objetiva e exemplar, a essência da antiga arte de construir.
Estes templos influenciaram posteriormente, todas as culturas. Acreditava-se que estes templos pelas suas formas exuberantes, eram a habitação dos deuses. O seu centro era a cela levantada para a sua presença em forma de imagem.
Nos Templos Martinistas observa-se diferentes configurações, uma vez que há diferenças ritualísticas entre as diferentes Ordens. As organizações mais relacionadas e identificadas com a Maçonaria, possuem uma estrutura física parecidas com estas, ou seja, um direcionamento Oriente/Ocidente ladeados por pontos cardeais simbólicos ( Norte/Sul), no ritual de Teder por exemplo, a estrutura é quase uma cópia de uma Loja Maçônica.
Na maioria deles, os Templos ou Lojas Martinistas tem a mesma configuração, a decoração baseia-se em três cores básicas ( preto, vermelho e branco), e em geral são simples e sem nenhum tipo de ostentação material. Há uma estação dedicada aos Mestres do Passado, O Pantáculo Martinista instalado no Oriente, ou sobre uma cadeira, e ao centro uma mesa quadrada ou redonda com três velas simbolizando as colunas simbólicas do Templo.
Cultura judaica - Os hebreus foram um dos primeiros povos a cultuar um único deus, isto é, eram monoteístas. No judaísmo, religião professada pelos hebreus, o único deus é Javé, cuja imagem não pode ser representada em pinturas ou estátuas.
O judaísmo é baseado nos Dez Mandamentos supostamente revelados a Moisés no monte Sinai. Os dois traços característicos da religião dos hebreus são o monoteísmo e o salvacionismo isto é a crença na vinda de um Messias ou Salvador para libertar o povo hebreu.
O Judaísmo constitui uma das bases do cristianismo, com o qual o Islamismo formou tríade das religiões universais.
Aspectos culturais
Da cultura criada pelos hebreus, a religião, é sem dúvida o legado mais importante. A escrita e literatura, entre os hebreus, povo de língua semita, surgiu muito cedo através de uma escrita própria. A arqueologia revelou a existência da escrita a partir de meados do segundo milênios a. C., (época do Êxodo). Aos poucos, porém eles foram substituindo, em sua escrita a sua língua original pelo aramaico, que era a língua comercial e diplomática do Oriente, próximo na antiguidade. O alfabeto hebraico atual é uma variedade do aramaico, que juntamente com a língua aramaica tornou-se muito difundido, suplantando os outros alfabetos e línguas semitas. Nas artes o monoteísmo hebraico influenciou todas as realizações culturais dos hebreus. Deve-se destacar a arquitetura, especialmente a construção de Templos, muralhas e fortificações. A maior realização arquitetônica foi o Templo de Jerusalém.
Nas ciências, não apresentaram progresso notável. A importância cultural da sociedade judaica residiu principalmente na esfera religiosa e moral (na lei Mosaica), sua área de influência atingiu o Ocidente e grande parte do oriente.
Os saduceus - os saduceus formavam uma facção judaica, que se acha mencionado somente treze vezes no N.T., mas não no quarto evangelho ou nas epístolas. Foi importante o papel que desempenharam na história religiosa daquele tempo.
1- Geralmente se afirma que o seu nome é derivado de Zadoque, que foi algum vulto do partido, ou aquele Zadoque, sacerdote no tempo de Davi (1 Rs 1.8) e de Salomão (1 Cr 29.22). Encontram-se os descendentes de Zadoque no sacerdócio, depois do exílio, conseguindo eles organizar um partido que, nos seus fins, era tão político quanto eclesiástico ou religioso. Durante mais de um século antes do nascimento de Jesus Cristo constituíam um importante partido nacional, e pelo tempo do N.T. todos os sumos sacerdotes eram saduceus.
2- A sua atitude para com o Divino Mestre parece ser bastante natural, visto que, sendo eles um partido aristocrático, estavam em íntimas relações com o sacerdócio. Os ensinamentos de Jesus eram um ataque direto à sua posição. Não é de se espantar que ficassem indignados quando Jesus purificou o templo (Mt 21.12), e quando aceitou o título de ‘Filho de Davi’ (Mt 21.15). E o seu forte desejo de suprimir Jesus era igual ao dos fariseus (Lc 19.47) – e também como estes, procuraram criar dificuldades a Jesus, fazendo-lhe perguntas astutas (Mt 22.23). Logo no princípio do Seu ministério, Jesus publicamente os censurou (Mt 3.7), e disse aos Seus discípulos que se acautelassem do fermento deles (Mt 16.6, 11,12).
3- Depois da morte de Jesus Cristo manifesta-se novamente a oposição dos saduceus, juntando os seus clamores aos dos sacerdotes (At 4.1 – 5.17). Paulo, em defesa própria, fazia uso das diferenças doutrinais entre fariseus e saduceus (At 23.6). A maneira saliente como Paulo se refere à ressurreição facilmente se notará considerando o doutrinamento dos saduceus.
4- A particularidade da doutrina dos saduceus é revelada por Jesus (Mt 16.6,12), e pelos evangelistas (Mt 22.23 – Mc 12.18 – Lc 20.27). O conflito entre eles e os fariseus se evidencia em At 23.6 a 8. Pelas passagens já citadas se vê que os saduceus negavam a ressurreição e a existência de anjos e espíritos. Quanto à ressurreição, o escritor e historiador Flavio Josefo, depois de explicar a crença dos fariseus no destino e no livre arbítrio, no “poder imortal” da alma, num futuro estado de recompensas e castigos, acrescenta: “mas a doutrina dos saduceus é a de que as almas morrem com os corpos” (Antiq. XViii. cap. i. e 4). Quanto à negação da existência de anjos e espíritos, ia esta sua filosofia de encontro aos ensinos do A.T., e por isso se pode explicar a impopularidade dos saduceus a este e outros respeitos. Josefo fez ver que, quando os saduceus se tornaram magistrados, tiveram de “aceitar as noções dos fariseus, porque de outra sorte o povo não os toleraria” (Antiq. XViii. i. e 4). Como partido, nunca foram os saduceus um corpo numeroso, terminando a sua existência depois da destruição de Jerusalém.
Os fariseus - nome de uma das três principais seitas judaicas, juntamente com os saduceus e os essênios. Era a seita mais segura da religião judaica, At 26. 5. Com certeza, a seita dos fariseus foi criada no período anterior à guerra dos macabeus, com a finalidade de oferecer resistência ao espírito helênico que se havia manifestado entre os judeus, tendente a adotar os costumes da Grécia.
Todos quantos aborreciam a prática desses costumes pagãos, já tão espalhados entre o povo, foram levados a criar forte reação para observar estritamente as leis de Moisés. A feroz perseguição de Antíoco Epifanes contra eles, 175-164 a.C., levou-os a se organizarem em partido.
Antíoco queria que os judeus abandonassem a sua religião em troca da fé idólatra da Grécia, tentou destruir as Santas Escrituras, e mandou castigar com a morte todos quanto fossem encontrados com o livro da lei. Os hasideanos que eram homens valentes de Israel, juntamente com todos que se consagravam voluntariamente à defesa da Lei, entraram na revolta dos macabeus como um partido distinto. Parece que este partido era o mesmo dos fariseus. Quando terminou a guerra em defesa de sua liberdade religiosa, passaram a disputar a supremacia política; foi então que os hasidianos se retraíram. Não se fala deles durante o tempo em que Jônatas e Simão dirigiam os negócios públicos dos judeus, 160-135 a.C.
Os fariseus aparecem com este nome nos dias de João Hircano, 135-105ª.C. Este João Hircano pertencia à seita dos fariseus, da qual se separou para se tornar adepto das doutrinas dos saduceus. Seu filho e sucessor Alexandre Janeu, tentou exterminá-los à espada. Porém, sua esposa Alexandra que o sucedeu no governo no ano 78 a.C., reconhecendo que a força física era impotente para combater as convicções religiosas, favoreceu a seita dos fariseus. Daí por diante, a sua influência dominava a vida religiosa do povo judeu. Os fariseus sustentavam a doutrina da predestinação que consideravam em harmonia com o livre arbítrio. Criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo e na existência do espírito; criam nas recompensas e castigos na vida futura, de acordo com o modo de viver neste mundo; que as almas dos ímpios eram lançadas em prisão eterna, enquanto que as dos justos, revivendo iam habitar em outros corpos, At 23. 8.
Por estas doutrinas se distinguiam eles dos saduceus, mas não constituíam a essência do farisaísmo, que é o resultado final e necessário daquela concepção religiosa, que faz consistir a religião em viver de conformidade com a Lei, prometendo a graça divina somente àqueles que fazem o que a lei manda. Deste modo, a religião consistia na prática de atos externos, em prejuízo das disposições do coração. A interpretação da Lei e a sua aplicação aos pormenores da vida ordinária, veio a ser um trabalho de graves consequências; os doutores cresciam em importância para explicar a Lei, e suas decisões eram irrevogáveis. Josefo, que também era fariseu, diz que eles, não somente aceitavam a Lei de Moisés, interpretando-a com muita perícia, como também haviam ensinado ao povo mais práticas de seus antecessores, que não estavam escritas na Lei de Moisés, e que eram as interpretações tradicionais dos antigos, que nosso Senhor considerou de importância secundária, Mt 15. 2, 3, 6.
A princípio, quando era muito arriscado pertencer à seita dos fariseus; eram eles pessoas de grande valor religioso e constituíam a parte melhor da nação judaica. posteriormente, tornou-se uma crença hereditária, professada por homens de caráter muito inferior que a ela se filiavam. Com o correr do tempo, os elementos essencialmente viciosos desta seita, desenvolveram-se a tal ponto de fazerem dos fariseus objeto de geral reprovação. João Batista, dirigindo-se a eles e aos saduceus, chamou-os de “raça de víboras”. É muito conhecida a linguagem de Jesus, pela qual denunciou severamente estas seitas pela sua hipocrisia e orgulho, pelo modo por que desprezavam as coisas essenciais da Lei para darem atenção a minúcias das práticas externas, Mt 5.20; 16.6,11,12; 23.1-39. Formavam uma corporação de intrigantes. Tomaram parte saliente na conspiração contra a vida de Jesus, Mc 3.6; Jo 11.47-57. Apesar disso, contavam-se em seu meio, homens de alto valor, sinceros e retos, como foi Paulo, quando a ela pertencia e de que se orgulhava, em defesa de sua pessoa, At 23.6; 26.5-7; Fp 3.5. Seu mestre Gamaliel também pertencia à mesma seita.
Os zelotes – um dos partidos políticos de Israel de maior severidades em suas ações. Os zelotes são de certa forma um mistério. Sabe-se pouco sobre eles.
Eram fundamentalistas reacionários do povo hebreu e acreditavam que a submissão à Roma era uma traição a Deus. Conhecidos como cananistas. Pelos menos um dos apóstolos tinha sido zelote, Simão (Pedro). Foram eles que provocaram a pregação da religião e que culminou na destruição de Jerusalém em 70 d.C.
Eram o terror dos soldados romanos, pois eles atacavam sempre a noite e eram certeiras. A palavra fanático é uma transcrição da palavra grega “zelotai” que significa “inveja” que por sua é um termo helenístico “gannaim” (ciúmes em hebraico). Os Zelotes eram um grupo de judeus radicalizados em sua oposição a Roma que dominava os judeus. Foram os principais “ideologistas” que conduziram o povo judeu ao levante contra os romanos, o que provocou a Guerra judia (anos 66-70), que terminou com a destruição de Jerusalém e do templo de Herodes, por obra de Tito Flávio. Nos evangelhos eles não são mencionados, embora a um dos doze, Simão, seja dado o apelido de Zelotes (cf. Lc 6,15).
Zelotes ou “fervorosos”. Este movimento unia o fervor religioso com o compromisso social. Segundo eles, os sacerdotes e os demais líderes religiosos estavam preocupados demais com o poder e não faziam nada para libertar a terra prometida da dominação dos romanos. Os zelotes defendiam a guerra “santa” e pretendiam alcançar a libertação da Judéia através da violência.
Os essênios - Eram adeptos de uma seita judaica que existiu na Palestina, no Oriente Médio, entre os séculos 2 a.C. e 1 d.C. Os essênios viviam afastados da sociedade, no deserto, concentrados em estudar a Torá - escrituras sagradas para os judeus e que formam os primeiros cinco livros do Antigo Testamento -, jejuar, orar e realizar rituais de purificação, numa espécie de comunismo primitivo, no qual todos os bens eram de propriedade coletiva. Em suas sociedades, que em geral excluíam mulheres, eles observavam rigorosamente os mandamentos de Moisés e obedeciam a uma estrita regra de disciplina, codificada em manuscritos, que regulava todos os detalhes da vida diária.
O surgimento da seita ocorreu numa época em que a classe alta de Jerusalém, na Palestina, estava sob forte influência da cultura grega - racional e pagã. Uma das consequências da influência foi o afastamento entre o governo judeu local e alguns grupos religiosos, que pregavam a defesa de costumes mais tradicionais desse povo.
“Após o ano 142 a.C., cresceu a tendência de separação entre os judeus. Os essênios, então, retiraram-se para o deserto ou áreas onde pudessem observar rigidamente os mandamentos de Moisés", diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, da PUC-SP.
As semelhanças entre certos rituais dos essênios e rituais dos primeiros cristãos, como batismo e comunhão, há muito tempo geram um grande debate entre os historiadores. Alguns acreditam que João Batista foi um essênio e há até quem suponha que Jesus Cristo teve contato com o grupo. Quem defende essas teorias lembra que as palavras essenoi, em grego, e esseni, em latim, são traduzidas como "aqueles que curam", o que seria uma referência a atividades parecidas aos milagres atribuídos a Jesus. No final da década de 1940, a descoberta de centenas de manuscritos atribuídos aos essênios, em cavernas na região do mar Morto, despertou a esperança de que o material pudesse confirmar finalmente a ligação entre a seita e os primeiros cristãos.
Após décadas de trabalho e controvérsias, a tradução integral dos manuscritos do mar Morto foi completada em 2002, mas não havia nenhuma referência direta a Jesus, João Batista ou aos primeiros cristãos. Os essênios provavelmente foram exterminados pelos romanos, ou obrigados a deixar suas comunidades e fugir para salvar suas vidas, por volta do ano 68 d.C.